Ir para Voltar
2024, vídeo, 14’12", dimensões variáveis
Trechos do vídeo
Ir para voltar é o ponto entre duas telas, entre o que não vemos, mas percebemos, entre o que não vivemos, mas sentimos. De forma cíclica, os vídeos que formam a videoinstalação “Ir para voltar”, posicionados lado a lado, apresentam um percurso já trilhado, e outro ainda por fazer — volta-ida-volta-ida. Nossos olhos procuram o espaço que está entre o ir e o voltar, para encontrar o ponto cego, o movimento do corpo caminhante, o balanço do corpo pênsil que sentimos no passo a passo, no tremor da câmera, que é também o tremor do mundo.
Trata-se de um espaço de projeção e de contemplação, um hiato entre o passado e o futuro, que nos convida a refletir sobre o fio invisível que tece nossa existência, marcada pela memória, pelo porvir, e pelas escolhas que moldam constantemente nosso ser. Cada curva, cada bifurcação, nos chega como fragmentos de mundos e constelações de agora. Que corpo é este que, como imagem ausente, se torna presente em ato e movimento? E se o futuro é sempre uma promessa incerta, como articular a ideia de que somos parte de um todo, que é também parte de nós?
Este trabalho nos convida a ver passado e futuro se entrelaçando, como os fios de um tear cósmico, no qual o durante é o ponto de encontro, o ponto onde tudo irá se repetir, onde tudo reverbera, onde podemos ouvir o sussurro do presente. O tempo linear é uma invenção do ocidente, uma espécie de camisa de força que nos aprisiona, que cria um ilusionismo e uma máscara que encobre o próprio movimento cíclico do universo e da natureza que nos ronda. Não se curvar às amarras do passado significa aprender a não reverenciar o tempo cronológico, a deixar a fluidez tomar conta desse emaranhado. Quando colocadas lado a lado, as telas apontam para dois pontos de fuga, para dois meios de escapar da paisagem, mas é o movimento que nos faz perceber que estamos dando a volta em nós mesmos.
Still do vídeo