Não sou Finito

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2018, fotografia e vídeoinstalação em 2 telas, 3', loop, dimensões variáveis

Trechos do vídeo

 

O projeto Não sou Finito documenta uma ação performática dividida em dois momentos, na qual estabeleço relações com cordas de forma diametralmente diversa. Enquanto em uma cena meu corpo está atado a uma árvore, na outra, tento simbolicamente diminuir a distância entre mim e o infinito ao puxar uma corda que vem do alto, cuja extremidade não é visível.

A performance é uma forma de encarnar gestos para dar visibilidade a experiências arquetípicas compartilhadas. A situação de estar amarrada a uma árvore com cordas que além de restringirem o corpo, também amordaçam, e, principalmente cegam, representa as limitações mentais constituídas pelos condicionamentos sociais.

O contraste entre os dois atos performáticos evoca a cisão do sujeito e a Natureza implicada na constituição da identidade individual durante processo civilizatório. 

Neste sentido, o projeto toma como ponto de partida a noção de que ao nascer os seres humanos se relacionam de forma mais integrada à natureza, e é o processo evolutivo que em nome da suposta autonomia, acaba incutindo inúmeras amarras invisíveis. Será mesmo que o processo civilizatório trouxe independência à nossa espécie? Ou nos tornamos escravos dos valores de nossa civilização?

Já na ação no lado esquerdo, busco caminhar com as mãos, que tentam alcançar o infinito, evocativamente trazido do alto pela corda. O gesto repetitivo reforça o teor cíclico, impregnado por reminiscências trazidas à consciência por obras sublimes como a  Coluna sem fim de Brancusi, aproximando o chão e sua dimensão palpável à sutil intuição do infinito.

Enquanto o filme se desdobra no tempo, a fotografia seleciona um fragmento do fluxo temporal e coloca a cena em suspensão.

O paradoxo é como pode algo finito, como nosso corpo, sentir e perceber o infinito?

Still do vídeo

Still do vídeo

 
Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.

Tríptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão.