Um número infinito de pontos
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2019, série de 15 fotografias, dimensões variáveis
Díptico fotográfico, impressão jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão
Um número infinito de pontos é o que constitui uma linha, e é também o nome desta série de fotografias realizadas no Chile e Costa Rica, por Ruchita. Pontos e linhas são involuntariamente desenhados nas paisagens capturadas pela câmera, desenhos feitos pelas intempéries do tempo, pelo vento, pelas águas. O modo como as fotografias nos são apresentadas, em fatias, fragmentos e aproximações, nos permitem perceber essa ação do tempo: pequenas nuances e modificações de uma linha para outra, de um ponto para outro. Movimentos que passam desapercebidos a olho nu, sobretudo por conta do ritmo acelerado de vida que levamos na contemporaneidade. As conversas entre as fotografias são de diversas ordens: temporais, cromáticas, volumétricas, formais e textuais, apenas para citar algumas.
Sim, podemos encarar que a escrita também é formada por um número infinito de pontos, e que estas imagens feitas por Ruchita se apresentam como um texto, como uma escrita no espaço. Juntas, elas criam uma narrativa em constante transformação, tal como no conto “O livro de areia”, do escritor e ensaísta argentino Jorge Luis Borges, no qual é contada a história de um livro cujas páginas não se repetem, elas se modificam, sempre, quando o livro é fechado, mudam de paginação, somem, se dissipam. Isso faz com que a atenção do leitor no momento de cada leitura seja absoluta, pois ele sabe que está diante de um instante único e irrepetível. Assim acontece também quando Ruchita realiza seus ensaios fotográficos em paisagens de areia e terra, ela fixa sua atenção entre pontos incalculáveis, sem princípio ou fim. É por isso que destas fotografias, nenhuma é a primeira; nenhuma, a última.
Impressões jato de tinta com pigmento mineral em papel de algodão